Querida esposa, já faz um tempo que estou trancado nesse sufocante quarto de hospital, sei que constatando nos estudos dos médicos que me examinam eu ainda tenho chances de viver e por tanto tenho que ficar subordinado a estas várias observações que me impedem de regressar ao meu lar, mas o problema é que eu sei que vou morrer e nada mais me importa do que o acalanto do meu leito e minha doce princesa ao meu lado.
Digníssima esposa, não quero de forma alguma dar explicações e provar o fato descrito, quando me neguei a entrar nesse hospital era com certeza por saber que daqui não sairia, pois bem, quero sair! Quero se não for pedir muito, esquecer essa minha doença terminal e viver meus dias sem pensar que podem ser os últimos, por que tive essa má sorte de saber do meu futuro? Não quero me martirizar todas as noites antes de dormir com o medo de não respirar mais, gostaria apenas de ir dormir feliz por ter tido um ótimo dia e ainda por cima ter a esperança de o amanhã ser um dia melhor, graças a esse hospital isso me é invalido. Deixe-me fazer coisas normais e que eu tinha o privilegio de fazer antes de todo esse acontecimento, deixe-me andar no parque com a minha princesa e vê-la brincando com os coleguinhas, me dê a chance de terminar o conserto do armário do banheiro, me permita tomar meus banhos com o meu shampoo e me deixe comer sua comida todas as noites no jantar ao seu lado e ao lado de nossa filha.
Me permita viver mais alguns dias, que mesmo sendo poucos, serão normais e felizes, me permita evitar uma morte depressiva em um quarto monótomo de hospital, me dê pela última vez em sua vida a oportunidade de ser feliz, me deixe ler um livro na minha poltrona confortável na sala, me tire daqui.
Alberto Frederico
"Sua mulher não atendeu seu pedido pois confiava fielmente que os médicos saberiam como agir, três meses depois seu marido faleceu com um dos agravantes sendo Enfisema pulmonar e desde então ela fica todas as noites pensando nos três meses que impediu seu marido de viver."
(Mayra M.)