quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

D. M.

Eu quis crer que as pessoas eram para sempre, que nada se acabava, quis acreditar que a realidade é como os sonhos e que podemos ir onde queremos apenas com força de vontade, me iludi!
Eu queria você aqui agora, por mais que eu te sinta, sei que está longe e que é muito errado eu lhe querer aqui, sei que jamais te terei de novo, que lhe perdi por circunstâncias da vida e que me nego a aceitá-lo.
Me culpo por toda minha falta de carinho por ti, por toda minha frieza e ironia, não creio que você leve essa imagem de mim, mas é essa imagem que levo quando penso o quanto perdi em não aproveitar você, acredite, estou completamente arrependida de não lhe ter mostrado um pingo de amor, de ter sido uma garota mimada, sem noção das perdas da vida, perdi o bem mais precioso que eu poderia ter, só se dá valor quando se perde.
Hoje olho as coisas de uma forma diferente, aprendi o quanto perder alguém é doloroso mas também aprendi a levar em consideração a lição por trás da perda, sei que não sou nenhuma pessoa perfeita para estar falando isso, mas com a sua morte foi isso que aprendi, aprendi a dar valor para as pessoas, VIVAS, por que realmente não sabemos o dia de amanhã, aprendi a valorizar o espírito e a acreditar nas palavras ditas pelo coração.
Não conseguiria te perder novamente e é por isso que tanto te escrevo, escrevo para você sentir aonde quer que esteja que estou lembrando de você, que estou aqui por você, não posso te perder na memória, não posso esquecer seu rosto, seu perfume, sua gargalhada, não posso me limitar a pequenas lembranças e sim em tudo que vivemos, por que com você eu aprendi muita coisa, porções de coisas...
Ninguém entende a minha forma platônica de sentir, meu anseio em não te ter aqui, ninguém entende que você foi uma mãe para mim e que quando a minha própria dita se ausentava, não era meu pai que me guardava e sim você.
Receio que eu esteja falando tarde demais, na verdade tive 12 anos para lhe dizer tudo que digo a todo instante, eu tive 12 anos para lhe mostrar tudo que sinto por ti, tive 12 anos de liberdade para me expressar sem opressão, eu o fiz? parece que não.
Agora depois de 6 anos sem você aqui, fico me remoendo e pensando em como pequenas atitudes não feitas no passado me transformaram em mais do que sou hoje, em como eu poderia ter te feito mais feliz com pequenos gestos em como fui patética em não entender que você se importava comigo e que suas brigas eram mais uma forma de dizer "Mayra minha PORRA, eu te amo"...
Me desculpe pela minha falta de senso, pela desordem na minha cabeça, me desculpe por todos desaforos, eu apenas queria naquela época que você soubesse o que eu tanto falo hoje, Te Amo Dorcas Madera, nunca deixarei morrer em mim o resto que ficou de ti, te amo!
(Mayra M.)

Um comentário:

  1. Perfeito prima, é isso mesmo, nada melhnor do que lembrarmos o quanto vale a vida, o quando é marilhoso amarmos nossa familia... eu te amo...
    Rodrigo Madéra

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