domingo, 19 de dezembro de 2010

Princesa do supermercado

Ele precisava conhecer aquela garota, não importa o que acontecesse, ele arriscaria tudo por ela, ele a via toda segunda feira no supermercado, fazendo "suas compras semanais", era fissurado por ela, por aquele jeito doce e maciço de falar, acompanhava seus lábios em todas palavras ditas, mas nunca ousou fala com ela, não era tão forte como imaginava, não como ele imaginava.
Ela era a mulher dos sonhos dele, ele escova os dentes as 19:00 horas, para 19:30 já estar na cama e ter mais uma noite de tortura, sim tortura, pois eram sonhos e mais sonhos com a princesa do supermercado, e cada vez que acordava, era uma lastima e um rastro de suor pelo quarto, ele não aguentava mais, pudera, quem aguentaria sonhar com alguém que está tão perto e tão distante...
O que o consolava era a chegada do domingo, logo no outro dia ele estaria novamente em seu trabalho, esperando a linda moça dos olhos cor de mel, ele sabia que precisava acabar com sua agonia, precisava conversar com ela, ele sabia que ela não era casada, não havia aliança em seus dedos, que ela morava sozinha e mal tinha tempo para cozinhar pois só comprava comida congelada, que ela adorava chocolates, ela sempre ficava horas escolhendo que chocolate levar, ele tinha certeza que ela era a mulher mais linda que ele poderia ter, pena que nunca o observou, talvez ela não tivesse tempo, por ser alguém muito ocupada, ou talvez simplesmente fosse desligada.
Ele procurou de todas as formas aparecer para ela, sempre em vão, sua timidez era maior que sua força mental, ele mal conseguia respirar quando a via entrar, ficava de longe acompanhando seus passos, virou um hábito toda segunda feira acompanha-la de longe em suas compras, caso ela precisasse de alguma coisa, ele poderia ter iniciativa em perguntar, ou simplesmente chegar e ajudar, o que seria muito improvável, já que mal conseguia encara-la, terrível.
Um certo dia, ela se atrasou para ir no supermercado, e não apareceu pela manhã como ele estava acostumado a esperar, as 09:00 em ponto ela atravessava a porta de entrada com seu carrinho e começava sua corrida pelo supermercado, ele ficou desolado, já que toda segunda feira acordava disposto para vê-la para na próxima noite ter vários sonhos maravilhosos com ela, mas ela não foi ao supermercado, ela não estava lá e ele ficou triste, desolado, trabalhando por trabalhar. A tarde ele pedirá ao supervisor uma folga, estava cansado daquela rotina e precisava andar um pouco, sua folga foi concedida e ele pode sair, resolveu fazer um piquenique no parque, mesmo que fosse sozinho, precisava respirar e sentir a natureza, toda sua vida era assim, trabalho, casa, trabalho, casa, trabalho, casa e os finais de semana ia pra casa da avó, cuidar dela e de seus dois irmãos que moravam com ela, mal tinha sossego ou tempo para pensar.
Estava lá deitado descansando com os olhos fechados, quando se assusta com uma bolinha de Tênis que caia perto de sua face, ficou tão assustado que não viu que uma pessoa estava se aproximando, e ao mesmo tempo que estava assustado, estava furioso, pois quase foi acertado na face, no mínimo era algum pivete desses que ficam nos parques...
Quando retomou a consciência e olhou para o lado, viu a princesa do supermercado, que vinha em sua direção com um cachorro ao lado preso na coleira, ficou ali abismado, o que poderia fazer? ela estava indo na direção dele, será que a bolinha é do cachorro dela, ela tem cachorros?
-Me desculpa, acho que me empolguei com meu cachorrinho.
-Nen..nehu...éé nenhum problema senhorita, eu pego a bolinha para você.
Como poderia isso, ele que mal saia de casa e quando sai vai justamente ao parque que ela brinca com o cachorro, de tantos parques dessa cidade enorme, será que ela vai a esse parque todas as tardes de segunda feira, se for, ele pode tirar folga toda segunda feira a tarde para admirar melhor sua amada, que agora está mais divertida, com outras roupas e com mais sorrisos, será que é a primeira e última vez que ela sai como cachorro, ela se incomodou com ele, é coisa do destino?
-Muito obrigada por pegar a bolinha e mais uma vez me desculpe.
-Que isso... não há probr..problema algum, seu cachorrinho?
-Não, é da minha mãe que está viajando e o deixou comigo, e como moro em apartamento preciso vir aqui todas as tardes pelo menos até o próximo mês.
- Haa ta, que lindo, gos..to de animais.
-Pois é, ele é adorável, bom tenho que ir, pois não fui fazer minhas compras pela manhã, e tenho muito o que fazer hoje, obrigada...
-PETER, me chamo Peter.
-Obrigada Peter, me chamo Diana.
-Um prazer Daiana, ou quer dizer... Diana...
Ele realmente não esperava aquilo, esperaria tudo menos aquilo, ele a encontrou e conversou com ela, de onde tirou coragem ele não sabe, sabe que o nome dela é Diana, que a mão dela é macia e que seu sorriso é encantador, sabe que ela mora em apartamento, que é divertida e gosta de animais, sabe que ela tem uma mãe que tem um cachorrinho, que graças a esse cachorrinho ela vai ao parque a tarde por mais um mês e sabe também que ela ainda hoje voltará ao supermercado, o que significa que ele está atrasado para voltar ao trabalho, já que não perderá outra oportunidade de revê-la e quem sabe dessa vez, dar o próximo passo.
(Mayra M.)

Nenhum comentário:

Postar um comentário