Acordei e percebi que perdi o horário, estava exatamente na hora de sair de casa e eu estava de pijama, cabelo despenteado, mal hálito e rosto inchado, tinha uma reunião extremamente importante na empresa e não havia tempo para me arrumar, corri para o banheiro passei uma água no rosto, me encarei no espelho e percebi que estava encrencada.Voltei para o quarto me arrumei e no meio de tanta roupa maquiagem, pastas e papéis me veio a cabeça uma vontade de sair de casa e ir tomar um café, parecia loucura mais coloquei uma calça jeans, uma blusa qualquer e saí, peguei um táxi pois meu carro estava no concerto e pedi para me indicar um café que fosse titulado como o melhor da cidade, ele me deixou na avenida souza rios cinco quadras do meu apartamento, fui para a área externa do segundo andar do café onde me sentei e pedi um café com leite, aquele café com leite me lembrou minha infância, quando eu acordava cedo e corria para a cozinha comer um pão de queijo com leite e café para logo depois sair e correr pelas ruas me divertindo com outras crianças, bebi aquela mistura gostosa de um preto com branco, aproveitei uns biscoitinhos que estavam na mesa, pedi alguns pães com manteiga e presunto e fiquei olhando para fora do café, vi um LINDO PARQUE, que para ser sincera não sabia que existia, eu estava totalmente deslocada, nunca passei por ali, na verdade minha vida sempre foi trabalho, casa, casa de amigos e umas saídinhas raras, mais nada tão lindo quanto o que estava em minha frente. Era um parque extenso, com várias árvores compridas e um lago ao centro onde estavam várias pessoas em volta, tinham várias crianças correndo e alguns casais fazendo um piquenique, haviam também alguns senhores jogando xadrez em umas mesas e quanto mais eu via, mais me atraia aquele lugar, bebi meu café e fiquei a observar, vi dois idosos, um homem e uma mulher que andavam naquele parque conversando e de mãos dadas, pararam e sentaram em um banco embaixo de uma árvore, provavelmente estavam cansados do sol quente que estava pela manhã, sentaram e ficaram conversando, mas se olhavam e se olhavam de uma forma que qualquer um, até eu naquele café à distância que estava percebia a felicidade que se encontrava ao redor deles, aquilo me fez bem e me fez imaginar um dia ter alguém para casar, dividir a vida e vivênciar a chegada da morte, por um súbito momento me vi com alguém andando também em um parque, já idosa com cabelos brancos e amarrados em um coque, com uma roupa que me cobrisse do frio e me deixasse fresca ao mesmo tempo, andando com um homem que estaria comigo a vida toda e que em todas as mazelas e enfermidades, esteve comigo e me acompanhando, me senti bem imaginando um futuro tranquilo, onde eu teria já concluído minha carreira e colhendo bons frutos de anos de trabalho, descansando ao lado de quem eu amava... respirei fundo tomei o último gole do meu café e voltei a minha realidade.
Estava em um café na avenida souza rios, um lugar aonde nunca fui com pessoas jamais vistas, o parque era lindo e a sintonia muito convidativa, mas era impossível ficar apenas sonhando, eu mal tenho um homem, no máximo um caso que vive me estourando com tantas desculpas para sair a noite sozinho com os amigos, um apartamento lindo mais vivo sozinha, minha familia se encontra no interior de minas e eu vivo com o objetivo de crescer no trabalho, por que sonhar com algo tão improvável? Eu não poderia me dar o luxo de mudar meus planos, na verdade nunca procurei pensar em ter um alguém, um homem, alguém que me acordasse todo dia, que fosse dormir ao meu lado sempre, nunca me imaginei entrando em uma igreja de vestido branco e grinalda, jamais procurei me relacionar justamente por achar um atraso na minha vida e agora repentinamente paro e começo a sonhar com um futuro não só meu, mas com outra pessoa? ahahaha vamos esquecer, apenas uma breve ilusão.
Paguei meu lanche pedi outro táxi e voltei para casa, me arrumei, liguei para a empresa e para minha sorte os patrocinadores não compareceram, bom fui trabalhar cansada e assustada, pois aquela manhã me fez pensar coisas que nunca imaginei ter pensado, um simples passeio, uma pequena vontade de tomar um café quase mudou o rumo da minha vida toda.
Quem sabe não mudou!
(Mayra M.)
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