domingo, 3 de julho de 2011

Sete anos!

 Eu sinto saudades de abrir os olhos e perceber que já são seis horas da manhã, olhar pro lado e lhe ver refletida no espelho com o sorriso mais lindo do mundo se arrumando para ir trabalhar, sinto saudades de sempre querer te imitar e ficar usando seus anéis e jóias enquanto você se ausentava, adorava quando você me levava pra sair e no caminho ficávamos escutando suas músicas na rádio, gostava de comer seu brigadeiro de panela de pressão e me divertia bastante quando saia com você por esses barzinhos da vida onde sempre tinha um coroa muito rico e maravilhoso te olhando com um sorrisinho malicioso.
 E quando você me levou para viajar de avião pela primeira vez, lembra? meu assento era no meio de dois homens bonitos e o seu um pouco atrás do lado de uma senhora que só sabia dormir e você toda traiçoeira teve a capacidade de chegar em mim e falar que ouve um engano e que o assento que eu estava era o seu e não o meu, bastante esperta não acha? Mas já que você me sacaneou, vou lembrar agora de uma coisa que você provavelmente você não vai gostar ahaha, lembra do seu mal humor? Quando ficavam aqui em casa até altas da noite jogando buraco e você querendo dormir e não conseguia por causa do barulho, confesso que era engraçado cada vez que você ia beber água (ou o seu remédio) e passava pelo carteado da cozinha, sua irritação era tão nítida que chegava a dar medo, sem contar que quase todo domingo de manhã eu tinha que ir no fundo do quintal pegar boldo pra você que vivia com enxaqueca.
 Você sempre foi estilosa e sofisticada, pelo menos aos meus olhos, tudo com você tinha que ser do bom e do melhor e até mesmo seu perfume denunciava isto. Agora uma coisa precisa ser dita, você cantando não era apenas estilosa e sofisticada, você simplesmente parava a galera pra lhe ouvir cantar e sem fazer muito esforço, só alguém falar "toca Andanças" e o ambiente totalmente melhorava.
  Confesso que você era muito chata, acho que eu sempre falei isso né? Sua definição pra "responsabilidade" me irritava as vezes (quase sempre), eu só tinha que estudar e nada mais, era uma marcação serrada comigo, porem devo confessar que você me ajudou muito com a quantidade de juízo que tinha na cabeça, provavelmente foi graças a ele que você vivia brigando com a minha mãe para ter mais atenção comigo, comprar frutas, ver minhas notas na escola (isso não era legal), enfim, você era chata pra caralho mas era uma chata necessária entende? E falando em chatice e com todo respeito, chato era seu romance com o Leno, o que foi aquilo mulher? Mas é o amor não é mesmo, quem pode julgar?
 Menina, eu estava pensando e fazendo as contas e concluí que fazem sete anos que não lhe vejo, não converso com você e não escuto tua voz, como consegui? Nem sei, sei que senti saudade nesse tempo todo e tentei me acostumar a viver sem você aqui e confesso que foi e está sendo muito difícil. É como se eu precisasse lhe ver com aquela bandana na cabeça, várias pulseiras no braço, relógio no punho e tênis da Olympikus, precisasse lhe ver ouvindo músicas que no final do dia ficariam na minha cabeça, precisasse saber se você ficaria satisfeita em ver o que aquela pirralha de 12 anos se tornou, saber se você ia ficar satisfeita com minha forma de pensar e agir, até mesmo sinto a necessidade de saber como você estaria agora se estivesse aqui, se você iria continuar em algum apartamento com escadas que acabassem com sua coluna, se teria continuado ou largado o Leno, se estaria com aquela mesma cara linda e implicante de tia que você tinha. Que carro você estaria usando agora? Você provavelmente seria do clube das coroas da moda e estaria tomando mais remédios que antigamente né?
 Eu fui te visitar hoje não para lembrar de tudo isso que vivemos e sim por que lhe devia uma visita, dia 7 agora vão fazer exatamente sete anos que estamos longe uma da outra, eu tinha que te visitar não tinha? Visitei e você não tem noção do quanto me doeu lhe "reencontrar" e pior que isso foi saber que esse reencontro era mais uma certeza que você não volta mais, mas por que então te visitar? Pra sentir você perto de novo como senti, pra nas minhas lágrimas conseguir encontrar a intensidade do meu amor por ti, pra entender que por mais que o ser humano tente ser forte, ele não consegue lutar contra a morte!
  A verdade é que hoje eu fui forte apenas para consegui ver o seu nome escrito numa lápide de um cemitério, tentei ser forte o suficiente para conseguir pisar na grama que cobre seu corpo e me separa de ti, fui forte o resto do dia em que cada coisa que acontecia me fazia lembrar você.
 Como em todo texto que escrevo pra você, vou terminar esse com um:
 Dorcas Madera Pereira, eu te amo e você está eternizada no meu coração, obrigada pelo dia de hoje!
(Mayra M.)

Um comentário:

  1. Lindoooooo texto May, emocionante.. Confesso que desceu umas lágrimas no final, afinal quem nunca perdeu alguém na vida? É assim e infelizmente, pela tristeza, mas felizmente pelo aprendizado, todos nós devemos passar por isso. Reforço que pode contar comigo pro que der e vier. Eu te amo :)

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